A todos os seguidores e leitores deste espaço:
UM ANO DE 2010 CHEIO DE POESIA
Se não me engano
Se isso é humano
Acaba agora o que começa
Uma parte da peça
Um ano
Não interessa se é normal
Quotidiano
Ou anual
Mas cai agora o pano
Sobre o ano
O que é normal
É humano
Ter esse feixe anornal
Herteziano
De saber quando acaba o ano
E começa outro ciclo anual
O que não é normal
É ter que viver mais o que não queremos
Ver o tempo passar e nada podermos
Ver acontecer o quotidiano
E mais um ano
Erro humano
ANOTHER CHRISTMAS (to all my friends all over the world)
OUTRO NATAL

Somos construídos de pouca matéria e muita memória
De pouco presente e muita história
Deram-nos braços para abraçar
Beijos para beijar
Mãos para dar
E um berço de palha para adorar
Somos desde sempre fanáticos por estrelas
Por caminhos e preces
Pela esperança de um dia
Pela luz da poesia
Nascemos todos os anos no mesmo dia
Natal
E morremos os outros dias, todos
Levantamos e baixamos os braços
Dormimos em silêncio
Pouco olhamos as estrelas
Esmorecemos aos poucos
Cavamos túmulos e escrevemos poemas
Apregoamos grandes lemas
Mas nem usamos os braços para dizer adeus
Nem bem nem mal
Esperamos quietinhos
Outro Natal
Escolhas simples
Escolho a sorte
De voar
De olhar o céu de cima
E vaguear no meu vento norte
De voar
De olhar o céu de cima
E vaguear no meu vento norte
Ser do sangue do clima
Escolho a sorte
De ver
De voar sem asas
Escolho a sorte
De ver
De voar sem asas
Ser cego por um instante
E vaguear no meu vento norte
Escolho a sorte
De sentir
De viver a tua brisa
E vaguear no meu vento norte
Escolho a sorte
De sentir
De viver a tua brisa
Desfraldar-te
E vaguear no teu vento norte
E vaguear no teu vento norte
Foto: Raul Cordeiro (Durban, África do Sul, 2009)
A minha verdade
Encolho os ombros
Franzo o nariz
Escondo a lágrima de um olho petiz
É cansaço o que sinto
Nem a dor me dói
E a sensibilidade flutua
Como o vento que me rói
Na falta de sentido escrevo
E enleio a minha miséria no enlevo
Vejo breve o campo
Por cima dos ombros
Sonho-me homem activo
Por entre escombros
Depois da raiva e da saudade
Uma obra de horas incógnitas
Sou definitivamente uma inacção
Uma pouca verdade
Franzo o nariz
Escondo a lágrima de um olho petiz
É cansaço o que sinto
Nem a dor me dói
E a sensibilidade flutua
Como o vento que me rói
Na falta de sentido escrevo
E enleio a minha miséria no enlevo
Vejo breve o campo
Por cima dos ombros
Sonho-me homem activo
Por entre escombros
Depois da raiva e da saudade
Uma obra de horas incógnitas
Sou definitivamente uma inacção
Uma pouca verdade
Foto: Raul Cordeiro (2009)
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