A certa altura perguntei-me a mim próprio
Porque é curta a vida e longa a tristeza
Custa cavar o nosso terreno interior
Descobrir a fonte do infinito fulgor
25 de Setembro de 2009
21 de Setembro de 2009
UM PRESENTE PARA ALÉM DO MAR

Poderia ser assim como um sopro de gigante
Um sopro que faz mover um carrossel
Se este sopro passasse os mares
E ajudasse a apagar as velas
Num bolo feito de mel
Poderia ser um presente gigante
Em forma de beijo de vento
Se este presente passasse os mares
E ajudasse a manter o sustento
Desse carinho que me ensinares
17 de Setembro de 2009
Quero um mundo mais pequeno!!!
Porque é que o mundo não é mais pequeno?
Assim poderia cruzar os meus olhos com os teus
E os meus deliciarem-se com os teus
E chorar de não lhes poder tocar
E chorar dos teus não serem meus
Assim poderia cruzar os meus olhos com os teus
E os meus deliciarem-se com os teus
E chorar de não lhes poder tocar
E chorar dos teus não serem meus
15 de Setembro de 2009
Negação
Era quente a minha ânsia
Desconhecido o desejo
Morna a poesia
Fresco e molhado o beijo
As lágrimas adjectivos
Nocturnas as negações
Desconhecido o desejo
Morna a poesia
Fresco e molhado o beijo
As lágrimas adjectivos
Nocturnas as negações
14 de Setembro de 2009
A idade e o tempo
Era tarde e ele tinha já quarenta anos
Deixara de ser jovem para ser homem
E pasmou na orla das gentes
E viu-a passar depois de não ter vida
Lançou da sua estátua um olhar
E da sua montanha um respirar
Gozava a brisa que lhe dava a alma
De olhar e respirar e deliciar-se com calma
Olhar era quase um pregão silencioso
Um pontapé na vacuidade
Dessa treta que o tempo inventou
A que dão o nome de idade
Deixara de ser jovem para ser homem
E pasmou na orla das gentes
E viu-a passar depois de não ter vida
Lançou da sua estátua um olhar
E da sua montanha um respirar
Gozava a brisa que lhe dava a alma
De olhar e respirar e deliciar-se com calma
Olhar era quase um pregão silencioso
Um pontapé na vacuidade
Dessa treta que o tempo inventou
A que dão o nome de idade
10 de Setembro de 2009
9 de Setembro de 2009
8 de Setembro de 2009
A COMPANHIA DE UM VERSO
O meu relógio parou incerto
Na hora do teu silêncio
Tornei-me subitamente algo, uma coisa
Não alguém
Escravo da tua voz
Indigesto personagem
Extraviado, funesto
Entidade irreal sombra da imagem
Estou sempre triste
É difícil ser culto e não ter indulto
Mas oprime-me estar só
E o inverso
Vale-me o poema e a companhia
De um verso
Na hora do teu silêncio
Tornei-me subitamente algo, uma coisa
Não alguém
Escravo da tua voz
Indigesto personagem
Extraviado, funesto
Entidade irreal sombra da imagem
Estou sempre triste
É difícil ser culto e não ter indulto
Mas oprime-me estar só
E o inverso
Vale-me o poema e a companhia
De um verso
6 de Setembro de 2009
CHINELOS VELHOS E ROTOS

Levaram-me hoje a ver o mar
Vi barcos vadios, parados
E outros vivos apressados
Vi conchas abertas e fechadas
E peixes poetas das madrugadas
Vi água e areias
Pessoas gordas e magras
Cantos e figuras de sereias
Um mundo de imagens sonhadas
Ouviu canções da espuma
E fechei, criança, os olhos à bruma
Vi nas pedras estátuas de arte e sal
Pregadas no chão
Arte de imaginação
Vi figuras de espanto
E chinelos velhos e rotos
Andar vagaroso e lento
De quem o mar sabe a pouco
Foto: curiosidade canina - LadyBug (olhares.aeiou.pt)
1 de Setembro de 2009
Normalidade
Vejo que se aprecia um certo ar de inteligência
Mas nada me obriga a ser
Inimigo da minha inocência
E ser pau de obras de feições alheias
Ou mera ideia química ou biológica
A quem aplicam veneno
Aranhas de outras teias
Rendo-me à ciência racional
De que para além da inteligência
Ou aliás habita a inteligência
Um instinto primário, gregário, animal
Ou não fosse uma pessoa normal
Curtas de Verão (XII): Esculturas
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