30 de Novembro de 2008

FIZ DO TEU VENTO O MEU SOL


Descobri que no navegar à deriva
Não há direcção
Não há destino nem fado

Fiz do teu vento o meu sol

E do meu versejar

Um linguajar afiado

Descobri que posso gritar

E deitar a voz ao vento

E deitar a palavra ao chão

Sei o que o tempo pode curar

Mas sei que o vento não pode esperar

Descobri que a minha voz ecoa
Que posso cultivar silêncios

Que posso cantar à toa

E ver dançar os navios

Descobri que o meu porto é no teu mar

Que a minha pele está na tua casa

Que a minha pena

É apenas uma pena da tua asa

Descobri que no navegar à deriva

Não há direcção

Não há destino nem fado
Foto: My dream World - Ze Luis (olhares.aeiou.pt)

PALAVRAS COM MÚSICA (Se eu não te amasse tanto assim - Ivete Sangalo)

27 de Novembro de 2008

MÚSICAS DE SEMPRE (Uma flor verde pinho - Carlos do Carmo)

O CORPO PELO FIM DO DIA


É já a noite do dia
Devagar se sentem os pés molhados
Imóvel serenidade da tarde
Crepúsculo de intensidades
Coisas saltam e pessoas roçam
O corpo pelo fim do dia
Na tristeza da alegria
E se não houvesse montanhas a escalar
Na escalada do dia
Perderia o sonho a altura
Perderia a noite o dia
Se não houvesse verdade
Nas histórias de saudade
Seria apenas fantasia
A saudade que sinto do dia
Se não houvesse enigmas e labirintos
Nem sonhos bem distintos
Perderia o sonho a altura
Perderia a noite o dia

Foto: silêncio do corpo - Renata Beatriz Müller (olhares.aeiou.pt)

25 de Novembro de 2008

PALAVRAS COM MÚSICA (Norah Jones - Broken)

O ÚLTIMO DIA


Hoje é talvez o último dia em que vivo este dia
O dia antes de escrever a última poesia
O dia antes de uma colecção de novos dias
Um dia depois de truques e acrobacias
Hoje é talvez o dia antes
De uma colecção de dias
Dos dias menos distantes
Será o dia antes dos dias bastantes
De dias de tristezas e alegrias

Foto: what can you lose - ana dias (olhares.aeiou.pt)

23 de Novembro de 2008

VENDA


Após contacto com mais de 20 Editoras em Portugal para a edição de um livro baseado nos textos deste Blog consegui ter 0 (zero) respostas.

Fica a certeza que serás publicado quando te conhecerem mas que também só te conhecerão quando fores publicado.

É a realidade...

Por isso resolvi vender os textos deste BLOG em colectânea PDF.

A quem desejar peço Mensagem para avidadaspalavras@gmail.com

O preço estimado para cerca de 300 textos é de 10 €.

Obrigado

22 de Novembro de 2008

O NASCIMENTO DE UM LIVRO


Pudera eu resgatar deste poema duas ou três letras
E com formaria uma palavra com elas

Uma palavras simples

Da cor da espada do aguço de quem lê

Uma palavra simples

Da cor dos olhos de quem vê

E das letras nasceriam palavras

E das palavras histórias

De folhas brancas derrotas

Da cor das palavras vitórias

E das vitórias gritos e honras

Pela multidão de letras cativo

De duas ou três letras

E uma palavra simples

Nasceria um livro
Foto: Livro - Vitor M. Bastos (olhares.aeiou.pt)

19 de Novembro de 2008

UM BANCO, UMA SOMBRA, UMA CENA, UM POEMA


Da terra onde me sento
Na minha aldeia pequena
Do tamanho de um mundo pequeno
É o banco e a cena
Sol ardente, sombra serena
Sombra que destila veneno
É pequena a arena
Da praça e do coreto
Mas grande o calor
Que desfaz o meu esqueleto
É pequeno o horizonte
Como pequeno o olhar que lhe lanço
Grande a árvore, pequena a sombra
Veloz o seu balanço
Apetece-me morrer e renascer
E voltar a morrer e nascer
Tantas vezes por dia
Que a vida teima em negar-me
Essa esperança amarga e vadia
E olho pequeno o mundo
De olhos grandes e risonhos
Na esperança pequena da vida
Porque grandes são os sonhos
Foto: "banco de folhas" - Jorge C. Pinto (olhares.aeiou.pt)

MÚSICAS DE SEMPRE (Flor sem tempo - Paulo de Carvalho)

17 de Novembro de 2008

PREGADOR DE (in) VERDADES


Que te diz a voz da aragem
Que te murmura esse grito de passagem
Quantas vezes o vento passa por ti?
Quantas vezes uma miragem?
Que te dizem as palavras que voam?
Memórias ou tempestades
Ou apenas simples frases soltas
Disfarçadas de verdades?
Guarda esse rebanho de saudades
Bem juntinhas em melodias
Pinta de branco o caderno
Pinta de verde os dias
De azul a cor do céu
Dá um toque de sátira
E dá verdade à mentira

Foto: Laurisilva - DDiArte (olhares.aeiou.pt)

15 de Novembro de 2008

MANDAMENTOS


Não encontrarão aqui maldicências ou palavras vãs
Não encontrarão distracção
Mas sim imagens mutantes
Não apreciarão detalhes
Nem espero que se espantem
Nem o espelho de quem escreve para quem lê
Não encontrarão um fim
Mas o espelho de quem lê
Nem por vezes o início
Não encontrarão gritos de alma
Nem um verso factício
Não encontrarão a palavra de quem mente
Mas a palavra de quem sente

Foto: sombras... deyvis malta (olhares.aeiou.pt)

11 de Novembro de 2008

POEMAS DE AROMA SEM RIMA


São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São danças de cheiros voláteis
Rodopios de alecrim
São doces cheiros de café e canela
São pinceladas de manjerico
Verdejantes na janela
São cheiros e delícias da noite e do dia
É o cheiro do luar que abafa a melodia
Melodiosa a árvore e a folha
Ao vento e sem medo
Escondendo o seu cheiro
No meio do arvoredo
São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São folhas de chá de lima
Doce ou salgado
Seco ou molhado
Na chávena de uma lágrima
São mesmo assim poemas de aroma
São poemas de aroma sem rima

Foto: Manto vermelho - Carlos Afonso (olhares.aeiou.pt)

9 de Novembro de 2008

POEMA AMARELO


Serei por estes dias que nascem
Pó da terra ao vento
Um pouco de nada

Um gostoso lamento

Serei por estas noites que caem

Luar de relento vivo

Mistério do escuro
Folha de Outono
Amarelo cativo
Serei por estas tardes frias
Gelo a derreter de calor
Pingo de chuva no teu nariz
A sofrer a minha dor
A ler o que o futuro diz
Serei por estas manhãs de alvorada
O romper da luz
E o terno entardecer

Da tua madrugada
Foto: ~J - Luis Zilhao (olhares.aeiou.pt)

7 de Novembro de 2008

UMA FESTA


Será luminosa e animada a luz
Que acenderá cinzenta claridade

Que reflectirá no teu rosto
Terna e cândida verdade
Será a tua face a máscara

De sentimentos escondidos

Teu sorriso e teu choro
Ventanias de tempos perdidos
Será tua a sorte que procurares
Será teu o retrato que escolheres

Será santo ou demónio

O que tu fores e quiseres
Alegrias, risos, choros e festa
De viver, ser e saber ser
Nada mais resta…
Foto: Festa de Yemanjá - Mário Campos (olhares.aeiou.pt)

5 de Novembro de 2008

FUI VER O VENTO, O AR E O MAR


Fui ver os ventos, o ar e o mar
Olhar terras distantes daqui
Logo veio alguém comigo conversar
Das marés e dos peixes
Das revoltas das areias
De magias e sereias
Fui ouvir a música da Lua
E a luz das ondas
Fui sentir a noite nua
Sentir as conchas nos pés
O sal no corpo
Antes que o Sol se esconda
Fui olhar as velas
E a dança
Abrir os olhos e a boca
Como faz uma criança
Fui sentir o meu corpo
Marcado nos teus olhos
Colher os búzios da praia
Colher os restolhos
Fui fazer castelos
Voar os cabelos
Deitar-me na praia madura
E voar
E eis o sonho de num instante
Ir e voltar
Foto: O SOL ESTÁ DENTRO DE TI - Rui Moura (olhares.aeiou.pt)

3 de Novembro de 2008

SEI DE UM OLHAR


Sei de um olhar brilhante

Sem princípio nem fim

Que se deita no mar e me mata

E dança á noite no meu coração

Sei de um sonho de páginas

Contrário à ciência

Que vive quando finda a música

Que gasta a minha paciência

Sei da realidade

Sei da verdade

Sei da escrita e das vozes

Sei do silêncio dos meus ossos

Sei da minha almofada

Sei que gasto o mundo

As fraquezas e os colossos

Sei da inquietude e da vaidade

Mas sei também

Que o tempo e a distância

Não gastam a idade

Foto: theres something in my nose - Daniel Oliveira (olhares.aeiou.pt)

1 de Novembro de 2008

PALAVRAS COM MÚSICA (De mais ninguém - Marisa Monte)

OUTROS LADOS DOS RIOS

Abandonei-me do outro lado do meu rio
Fiz figas que não fosse verdade
Pedi que fosse apenas um beijo
Pedi que fosse delírio de desejo
Não vi partir o barco
Nem cheguei a por a flecha no arco
Fiz-me forte ou fraco
Transparente ou opaco
Deixei feliz as velas ao vento
Livres à espera do momento
À espera do toque
Do misterioso retoque
Que um dia ao alvorar
As leve de volta ao mar