27 de Outubro de 2008

ASTROS


Astro doido de sonhos
Irrompe o Sol pela minha janela
E é com saudades de mim
Que fujo da minha cela
Labirinto, confusão
Pena, absolvição
Inteligência, abjecção
Passei por aqui e vou para lá
Nem dei pela vida
Olhei o Sol
Descobri a saída
Rua, agitação
Luas, estrelas
Conversas, balelas
Mas a curva que queria sentir
Nem vê-la
E à noite não durmo
Sinto o Sol minúsculo

Foto: A subida - Pereira Lopes (olhares.aeiou.pt)

23 de Outubro de 2008

MÚSICAS DE SEMPRE (A rosa que te dei - José Cid)

MÚSICAS DE SEMPRE (A festa da vida - Carlos Mendes)



Verdes são as setas que me secam o coração
E secos os campos que guardas
Escondidos na palma da mão
Frágil a balança com que pesas a vida
Ondulante o teu beijo de despedida
Amarelo o sorriso que deixas no ar
Azul o céu que deixas ao chegar
Curto o abraço que levas contigo
Branco o frio que deixas comigo


Foto: Praia de Cascais - Adriana Marta Vilão Rito (olhares.aeiou.pt)

22 de Outubro de 2008

PALAVRAS COM MÚSICA (Sérgio Godinho - A noite passada)

UBIQUIDADES TRANSVERSAS


Nesta vida de faz-de-conta
Amamos ou odiamos
Fazemos ou remediamos
É dia ou é noite
Damos o corpo ao açoite
Subimos ou descemos
Dormimos ou comemos
Estamos ou não estamos
Calamos ou gritamos
Somos pais ou morremos
Nascemos e somos pessoas
Odiamos as más
Adoramos as coisas boas
Somos sol ou chuva
Mão ou luva
Dia ou lua
Beco ou rua
Porta de saída
Viela ou avenida
Estamos no chão ou nos ares
Fintamos a idade
Iludimos a ubiquidade
Mas…
Mesmo que queiramos
Não estamos em dois lugares

Foto: Marques Tavares Carlos - Pontas Delicadas (olhares.aeiou.pt)

20 de Outubro de 2008

PALAVRAS COM MÚSICA (André Sardet - Mundo de Cartão)

TUA (A)...POESIA


Serão teus os olhos

Que me espreitam atrás da lua?

Será tua a sombra

Que vejo nua?

Será imagem minha

Que deslizas assim na minha rua?

Ou será que a minha loucura

Simplesmente continua?

Será que são os teus passos

Que oiço na tábua?

E será que o som mingua

Ainda na noite crua?

Será que a noite acaba

Ou faz com o dia

Uma contínua capicua?

Foto: Eclipse - Pedro Ferreira (olhares.aeiou.pt)

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18 de Outubro de 2008

PEIXES AMARELOS E SEREIAS


Contas as conchas do mar e o ruído
Que fazes ao caminhar
Contas-me ao ouvido o teu espelho
E as coisas perigosas do mar
És filha da ilha grande
Maravilha do meu marear
Contas histórias de encantar
De peixes amarelos e sereias
De sóis e luas cheias
E desse peixe chato, fedelho
Poeta das ideias
E contas mais ainda de ti
Do sabor da pele a sal
E de mais de mil epopeias
Do bem e do mal
De paixões e desventuras
Devaneios e loucuras
Contas os dias que passam
E as horas que não passam
Contas também…
No reino de Júpiter és doce e amada
E vives na ilusão do olhar
De me contares um dia
As tuas aventuras
Do outro lado do mar

Foto: Peixe-Cirurgião II - Susana A. Rocha (olhares.aeiou.pt)

16 de Outubro de 2008

BARALHAR E DAR DE NOVO


É ele poeta e criança
Que tira das palavras a abastança
E tece com elas uma trança
E dança com a folha uma dança
É ele criança nascendo poesia
Jogando com palavras ocas pura fantasia
É ele inventor de fados
E de versos aluados
É ele que atira ao ar
Para voltar a baralhar
É ele o actor do cinema
É ele o comandante do poema
E se o poema não morreu
Ele... sou eu

Foto: As cartas estão jogadas! - Luci-António (olhares.aeiou.pt)


PALAVRAS COM MÚSICA (Tony Carreira - Sonhos de Menino)

13 de Outubro de 2008

PREFERÊNCIAS


É salgada a tua silhueta
Azeda a espera dos braços e dos abraços

Saudosa a maré dos veleiros

Triste a espera pela mão branda do Outono

Desinquieto o meu sono

É quando...
Prefiro os odores aos cheiros

Prefiro o estalar das castanhas

Às dores das minhas entranhas

Prefiro o vento do dia

À chuva da noite

Prefiro a praia ao mar alto

A solidão ao assalto

Prefiro a carta ao postal

A chuva ao lamaçal

O açúcar ao sal

A voz do poema

Ao mais fugaz dilema

E prefiro... ainda
O sal do teu corpo

A um mar quase morto

Foto: CÓDIGOS - Paulo Madeira. www.paulomadeira.net (olhares.aeiou.pt)

11 de Outubro de 2008

POEMA PEQUENINO


Num poema pequenino
Dou lustre à palavra esquecida
Dou luz ao meu destino
E sem luz e sem te ver
Ficam estas linhas de vida
Para quem quiser ler e entender
É mesmo pequenino
Porque nasce e morre ao mesmo tempo
E antes que os olhos abram
Cresce e mirra em contratempo

Foto: Pequenino - ANDRA VALLADARES (olhares.aeiou.pt)


6 de Outubro de 2008

SIGNIFICADOS DECIFRADOS


Sonhei-te tanto que me cansei de te lembrar
Vivi-te tanto que me cansei de morrer
Olhei-te tanto que me cansei de cegar
Saboreei tanto que me cansei de lamber
Li-te tanto que decorei o teu nome
Decifrei todos os teus significados
Saciaste sozinha a minha fome
Iludiste os meus predicados
Hoje, são, em sonhos esforçados
Tristes as minhas memórias
Alucinantes as minhas histórias
Sem sentimentos banais
Mas apenas carnais
As minhas memórias

Foto: glass of wine - simao pereira de magalhaes (olhares.aeiou.pt)

3 de Outubro de 2008

FALSIDADES


voa veloz a tua língua sobre o meu coração
ilumina-se a fluorescência do teu andar, talhado
afunda-se a lua no mar da paixão, diamante
rasga-se inteiro o bocado, pedaço da tua mão
olha-se de soslaio o corpo amante
escurece a sombra do meu braço na tua cintura
enrola-se na raiz dos teus ossos
escreve-se a minha idade numa pintura, espelho
de imagem reflexa, desarrumada, alimento vítreo do ego
espera na falsidade da imagem o aconchego

Foto: yupiiiiii - luciana (olhares.aeiou.pt)