30 de Setembro de 2008
DESCOBRI QUE AFINAL ERAS UM PEIXE VERDE

Foi preciso espreitar a janela
E descobrir que tinhas asas
Que eras cidade de castelos e ameias
Que eras morada da minha cela
E que dentro do teu lago germinavam peixes
E nadavam plantas
E acalmava o teu silêncio
E estremeciam as folhas do meu poema
Escritas a medo em papel corredio
Descobri que tinhas sombras nos olhos
Um olhar fugidio
Uma saia de folhos
Mas um corpo baldio
Descobri que eram verdes os teus cabelos
Ou seria ilusão dos meus
De tanto tempo sem vê-los?
Descobri que eram macias as tuas colinas
Quieto o teu rio
Margens estreitas
Leito selvagem de lágrimas salinas
Descobri que o meu mapa era velho
Estava ao contrário, do avesso
De pernas para o ar
Gasto de tanto sangue vermelho
De virar e virar
De tanta lábia e conversa
Descobri que afinal eras um peixe verde
Deitado num tapete persa
Descobri que podes gostar de ti como eu
E vice-versa
E descobrir que tinhas asas
Que eras cidade de castelos e ameias
Que eras morada da minha cela
E que dentro do teu lago germinavam peixes
E nadavam plantas
E acalmava o teu silêncio
E estremeciam as folhas do meu poema
Escritas a medo em papel corredio
Descobri que tinhas sombras nos olhos
Um olhar fugidio
Uma saia de folhos
Mas um corpo baldio
Descobri que eram verdes os teus cabelos
Ou seria ilusão dos meus
De tanto tempo sem vê-los?
Descobri que eram macias as tuas colinas
Quieto o teu rio
Margens estreitas
Leito selvagem de lágrimas salinas
Descobri que o meu mapa era velho
Estava ao contrário, do avesso
De pernas para o ar
Gasto de tanto sangue vermelho
De virar e virar
De tanta lábia e conversa
Descobri que afinal eras um peixe verde
Deitado num tapete persa
Descobri que podes gostar de ti como eu
E vice-versa
28 de Setembro de 2008
CLITIA E APOLO ( a história do girassol)

Reza girassol
Pela alma do Sol
E viram e reviram teus olhos
E olham para os lados e para cima
Com olhos de malmequer gigante
E corpo fino, elegante
Que do amado te aproxima
Deu-te Clitia a vida e te segurou ao chão
E sobre esse corpo giras
Disfarças, magro, a solidão
E sobre ele pairas
O olhar e o corpo torcido
E à noite no teu gemido
Cai-te a cabeça a chorar
De mais um dia esvaído
Pela alma do Sol
E viram e reviram teus olhos
E olham para os lados e para cima
Com olhos de malmequer gigante
E corpo fino, elegante
Que do amado te aproxima
Deu-te Clitia a vida e te segurou ao chão
E sobre esse corpo giras
Disfarças, magro, a solidão
E sobre ele pairas
O olhar e o corpo torcido
E à noite no teu gemido
Cai-te a cabeça a chorar
De mais um dia esvaído
26 de Setembro de 2008
POEMA DE INDECISÃO

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva.
Podia beber-te e saborear-te.
Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
Podia mergulhar, nu, na tua espuma.
Se não tivesse falhado todos os semáforos verdes da estrada, e desbaratado todos os amarelos,
Seria agora livre.
Se tivesse partido as algemas e roído as grades, e olhado os precipícios com sangue de herói,
Seria agora um beijo a voar.
Se tivesse acabado tudo o que comecei, beijado o que não beijei, se tivesse visto o Sol mais cedo,
Seria agora um desvendado segredo.
25 de Setembro de 2008
24 de Setembro de 2008
VIDA DE ATADURA
19 de Setembro de 2008
POEMINHA INCOMPLETO
17 de Setembro de 2008
EM PROSAS E TRABALHOS PROFANOS

Gelam as almas e os corpos
Cansa-se a vida dos desenganos
Viver apenas de esperança
Tela dos teus segredos
Ganhar a jorna do suor pingado
Em prosas e trabalhos profanos
Viver a tua lembrança
Esquecer os meus degredos
Nunca dês o meu nome a nada
Nem a mim chames maior
Respira-me na tua alvorada
À luz de um Sol menor
E sem pensares muito
De tudo o que não te fiz
Atira o sonho ao vento
Mas fecha as mãos no momento
Foto: Unopen - Diego Freitas (olhares.aeiou.pt)
15 de Setembro de 2008
TU, MINHA SIMPLES NOITE (XII Concurso Luso-Poemas - (N)a escuridão da noite)

Se fosse apenas mais simples
Viajar pelo campo das tuas flores
E inconscientemente esmagar as minhas dores
Não estar amarrado à loucura dos sonhos
Mesmo que eles mudem em cada noite, em cada colina
Mesmo que os erros sejam o meu açoite
E seja cego n(a) escuridão da noite
Mesmo que seja noite de tempestade
E os relâmpagos sinais de vitória
Mesmo que escureça antes do fim da nossa história
Seja o amor amargo
Que eles nos abandone frios no breu
Que não compense a viagem
De mim para ti
Estimo os intervalos curtos dos trovões de Agosto
Lava a chuva o teu e o meu rosto
Lava o sono e deixa os sonhos
Mesmo que os erros sejam o meu açoite
E seja (eu) n(a) escuridão da noite
Mas acordado e desperto
À luz do teu excerto
Viajar pelo campo das tuas flores
E inconscientemente esmagar as minhas dores
Não estar amarrado à loucura dos sonhos
Mesmo que eles mudem em cada noite, em cada colina
Mesmo que os erros sejam o meu açoite
E seja cego n(a) escuridão da noite
Mesmo que seja noite de tempestade
E os relâmpagos sinais de vitória
Mesmo que escureça antes do fim da nossa história
Seja o amor amargo
Que eles nos abandone frios no breu
Que não compense a viagem
De mim para ti
Estimo os intervalos curtos dos trovões de Agosto
Lava a chuva o teu e o meu rosto
Lava o sono e deixa os sonhos
Mesmo que os erros sejam o meu açoite
E seja (eu) n(a) escuridão da noite
Mas acordado e desperto
À luz do teu excerto
13 de Setembro de 2008
NÃO BASTA... A LOUCURA

Não basta abrir a janela
E ver que não chove
E ver que o mundo se move
Não basta partir com o olhar
As muralhas da cidadela
É preciso sentir a pedra
O frio e o luar
Não basta por os pés no chão frio
Se não aprendes a caminhar
Se o tempo te cheira a bafio
Não basta ver os outros
Em território baldio
Não basta ver no espelho
A imagem que queres
É preciso que outros vejam
A magia de seres
Não basta seres homem ou mulher
Não basta fintares o engano
E esconderes as lágrimas
De um jacto artesiano
Não basta seres só tu
E o teu segredo arcano
Não basta ser assim louco
Pois ser louco
Neste mundo já é pouco
11 de Setembro de 2008
7 de Setembro de 2008
QUATRO CENTENAS DE PASSOS

Talvez tenha caído
Num buraco de traços
Num traçado intrincado
Depois de quatro centenas de passos
E de forma desconhecida
Tenha numerado as cores por números
E as tenha pintado fora da vida
Enquanto eu, como uma criança
Tenha preenchido a vacuidade
E afagado a vaidade
Não importa agora
Se usei golpes corajosos ou cores selvagens
Se preencho todos os espaços em branco
Se fui filme ou cinema
Revista ou jornal
Prosa ou poema
A clara ou a gema
Se fui história de acordar ou de dormir
De prender ou de fugir
Se fui mar ou porto
Praia ou lodo
Se riste ou choraste
Se calaste ou falaste
A tua fala ou a minha
Se percebes o esquema
Se gostas de ler esta linha
Continua este poema
Vai...
6 de Setembro de 2008
PRESSÁGIO A RIR

Nefasto o teu rasto
Sereno o meu passoSorriso rasgado
Enquanto me afasto
Bem sei que não me queres
Não sei o que queres
Sei que te sou mesmo nefasto
Por isso saio calado
Ri...
Ri enquanto podes
Esse riso enjaulado
Ri do teu olhar
Do teu rasto apeado
Ri... mas suave
Ri enquanto podes rir
Antes que o teu tempo trave
Aproveita agora para rir
Que o pior está para vir
Aproveita agora para rir
Que o pior está para vir
5 de Setembro de 2008
TROCAS DE PALAVRAS

Ora agora digo eu
Ora agora dizes tu
Ora agora digo eu
Razões da razão que morreu
Falas e nada dizes
Dizes e nada falas
Disparas em poucas palavras
Palavras que são balas
Quanto mais falas menos dizes
Menos te ouvem
Menos te querem
Mais confundes o céu com a nuvem
Pára, olha, escuta a lembrança
Respira fundo
E avança
2 de Setembro de 2008
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