31 de Agosto de 2008

E comigo os poemas do avesso


Eram já velhas as saudades
Do espaço
Do bafo do teu corpo
Da arcada do teu braço
Eram já torpes as lembranças
Do bem que me fazes
Do frio que trazes
Do enrolar das tuas tranças
Eram já poucas as horas
Para pensar no meu regresso
No meu papel reimpresso
Neste livro onde moras

Cheguei
Regressei
E comigo as lembranças

As horas
Os livros

E comigo os poemas do avesso
Foto: #76 - Karomat (olhares.aeiou.pt)

23 de Agosto de 2008

DOCE SAFADEZA


Bate, bate e não desiste
A neblina da manhã nos meus olhos

Serei eu mesmo o teu anel

Serás tu o meu papel

Serei eu mesmo teu

Serei eu teu fel?

Serei...

Biologia...

A mais pura natureza

E em cada olhar que faísca com o meu

E quebra a minha fortaleza

E cada vez que as minhas mãos te dobram

Serei o florete de espachim

Que te fura o coração

E te expõe a nudeza

Serei...

Serei?

Serei mesmo?

A tua doce safadeza?
Foto: body to body - rattus (olhares.aeiou.pt)


21 de Agosto de 2008

PARA ME PODERES MAGOAR


Arma-te com as tuas armas
Convence-me com as tuas teorias
Magoa-me com as tuas palavras

Ilude-me com as tuas magias
Pinta-me com as tuas tintas

Confunde-me o olhar

Finta-me com as tuas fintas

Asfixia-me com o teu respirar

Mostra-me o teu corpo

Fala comigo ao luar

Mostra-me o teu todo

Para me poderes magoar
Foto: 2 in motion IV - DDiArte (olhares.aeiou.pt)

PALAVRAS COM MÚSICA (Classificados - Um segredo fechado)

20 de Agosto de 2008

MÚSICAS DE SEMPRE (Caetano Veloso - Debaixo dos Caracois dos seus Cabelos?

OS MEUS DUELOS COMIGO


Acontece que já nem pensava
Voltar a encontrar a minha Primavera

Nem a chuva no meu cabelo

Nem a espada daquele duelo

Das lutas que travei

Dos amores que vivi

Das vezes que me apaixonei

Das vezes em que morri

Foto: Romance de capa e espada - Jorge Palha (olhares.aeiou.pt)

18 de Agosto de 2008

RECREIO


Acaso me perguntaste se te queria ver?
Ou sequer conhecer
Não vês que me escorre pelos olhos
O desejo imenso de te esquecer
Não vês que sonho com o mar
E só me trazes a praia
Não vês?
Não vês que os meus poemas são selvagens?
Difíceis de domar
Não vês que sonho ao luar?
Não vês que neste sentir
Há um perdoar e uma imagem
Não vês que vim até aqui
Pelo medo e pela coragem
Não vês ou não queres ver
Que me alimento do verso que escrever
Da canção que vier
Do livro que ler
Que o teu corpo me sabe a pouco
Ou não queres ver
Ou estou mesmo a ficar louco?
Não, descansa...
Não tenhas receio
Apenas faço desta façanha de escrita
Um delicioso recreio
Foto: Raul Cordeiro

16 de Agosto de 2008

O VALOR DAS PESSOAS



De que te vale esse olhar?
Se ninguém te olha nos olhos

De que te vale esse vestido?
Se ninguém te despe os folhos
De que vale a voz doce?
Se ninguém te prova os lábios

De que te valem as palavras?
E os pensamentos sábios
De que te vale esse corpo?

Se te escondes à sua sombra
De que te vale seres sincera?

Se ninguém te gosta
De que vale a espera?
Não vale a aposta
De que vale o teu cabelo?
Se não o podes sentir nos ombros
De que vale precisar de casa?
De que valem os teus escombros?
De que vale o teu calor?

De que vale o teu frio?
Se ninguém te dá valor
Nem no pino do estio

Foto: Dolls World - Fernanda Kirmays (olhares.aeiou.pt)

PALAVRAS COM MÚSICA (André Sardet - Nasce sem se ver)