segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Poeminha idiota


Queria programar um poema
Falha-me a sintonia
Oculta-me a maresia
Apenas me ocorre que se és o mar
E eu a gota
Queria ser idiota
E deixar-me afogar

Foto: Raul Cordeiro - Durban, África do Sul (2009)

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

PALAVRAS COM IMAGENS (Ark)



Watch more cool animation and creative cartoons at Aniboom

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

cegar e não querer ver


cegam-me os olhos de não te ver
cega-me o destino de te perder
cega-me o desejo de te procurar
cega-me a cegueira de te amar
cega-se o tempo de se gastar
cega-se o caminho para te encontrar
cega-se o relógio no meu pulso
cega-se a hora do impulso
cega-se o cego que não quer ver
cega-se a vida se te perder

Foto: Raul Cordeiro, Bragança (Agosto, 2009)

domingo, 25 de Outubro de 2009

Curtas de Outono (II): A voz


Nem a minha voz
Nem a minha música
Chegam ao tecto do mundo
Calo...
Será sempre um grito para dentro
Que me vêm dos ossos
Um soluço do fundo

Foto: Raul Cordeiro - Mirandela (Agosto, 2009)

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Curtas de Outono (I): Dias assim


Podia ser um caule ou uma raiz
Noite ou dia
Lua ou madrugada
Mas mesmo que fosse
Serias flor e eu nada

Foto: Raul Cordeiro - Almeida (Agosto, 2009)

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Operações simples


Se os teus olhos me vissem agora
Desleixado
Suspeito de uma soma diminuída
Imperfeito e cansado
De comprimento intelectual
Curvado
Seria trágico o teu amor
E mais trágico o meu fado

Foto: Raul Cordeiro, Miranda do Douro (Agosto, 2009)

sábado, 17 de Outubro de 2009

auto compreensões


Compreendo que do outro lado de mim
Haja um quarto vazio
Sem uma gota de memória
Dos lapsos da minha história
Compreendo que o meu tempo esteja errado
Equivocado
E viva à frente da minha memória
Fico zangado comigo quando não o agarro
Ou o deixo fugir
Compreendo mas cansa-me a inteligência abstracta
Compreendo no quarto vazio
As memórias sem data

Foto: Raul Cordeiro - Braga (Portugal), Agosto 2009

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

EDITAL

A forma como o tempo se cobra a si próprio
É um descompasso do tempo, ele mesmo
Como se seguisse a descompasso falso
E as palavras e as coisas tivessem autos diversos
Mais breves que estes versos
A forma como o verso se alumia
Se anuncia em edital
Em descompasso da poesia

Músicas de Sempre (Paul Anka - Put your head on my shoulder)

domingo, 4 de Outubro de 2009

Caminhos Exteriores (III)


Foto: Raul Cordeiro - Varsóvia, Polónia (Setembro 2009)

Matemática

Se a Matemática fosse exacta
Um mais um nunca seriam mais que dois
É perfeitamente inútil somar a nós
O que vai para além de nós
Do nosso manto invisível
O que torna para o amor
A Matemática uma ciência neutra
Nula e abstracta

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Depois de Varsóvia... Nunca esquecer Pawiac

Depois de Varsóvia... à conversa com Copérnico

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

A certa altura perguntei-me a mim próprio
Porque é curta a vida e longa a tristeza
Custa cavar o nosso terreno interior
Descobrir a fonte do infinito fulgor

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

UM PRESENTE PARA ALÉM DO MAR


Poderia ser assim como um sopro de gigante
Um sopro que faz mover um carrossel
Se este sopro passasse os mares
E ajudasse a apagar as velas
Num bolo feito de mel
Poderia ser um presente gigante
Em forma de beijo de vento
Se este presente passasse os mares
E ajudasse a manter o sustento
Desse carinho que me ensinares

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Quero um mundo mais pequeno!!!

Porque é que o mundo não é mais pequeno?
Assim poderia cruzar os meus olhos com os teus
E os meus deliciarem-se com os teus
E chorar de não lhes poder tocar
E chorar dos teus não serem meus

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Negação

Era quente a minha ânsia
Desconhecido o desejo
Morna a poesia
Fresco e molhado o beijo
As lágrimas adjectivos
Nocturnas as negações

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

A idade e o tempo

Era tarde e ele tinha já quarenta anos
Deixara de ser jovem para ser homem
E pasmou na orla das gentes
E viu-a passar depois de não ter vida
Lançou da sua estátua um olhar
E da sua montanha um respirar
Gozava a brisa que lhe dava a alma
De olhar e respirar e deliciar-se com calma
Olhar era quase um pregão silencioso
Um pontapé na vacuidade
Dessa treta que o tempo inventou
A que dão o nome de idade

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Músicas de Sempre (I´ll follow the sun - Beatles)

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Caminhos Exteriores (II)


Durban, África do Sul (Porto de Durban), Junho 2009

Foto: Raul Cordeiro

Caminhos Interiores (IV)


Guimarães, Agosto 2009
Foto: Raul Cordeiro

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

A COMPANHIA DE UM VERSO

O meu relógio parou incerto
Na hora do teu silêncio
Tornei-me subitamente algo, uma coisa
Não alguém
Escravo da tua voz
Indigesto personagem
Extraviado, funesto
Entidade irreal sombra da imagem
Estou sempre triste
É difícil ser culto e não ter indulto
Mas oprime-me estar só
E o inverso
Vale-me o poema e a companhia
De um verso

domingo, 6 de Setembro de 2009

CHINELOS VELHOS E ROTOS


Levaram-me hoje a ver o mar
Vi barcos vadios, parados
E outros vivos apressados
Vi conchas abertas e fechadas
E peixes poetas das madrugadas
Vi água e areias
Pessoas gordas e magras
Cantos e figuras de sereias
Um mundo de imagens sonhadas
Ouviu canções da espuma
E fechei, criança, os olhos à bruma
Vi nas pedras estátuas de arte e sal
Pregadas no chão
Arte de imaginação
Vi figuras de espanto
E chinelos velhos e rotos
Andar vagaroso e lento
De quem o mar sabe a pouco

Foto: curiosidade canina - LadyBug (olhares.aeiou.pt)

Caminhos Interiores (III)


Ponte de Lima (Agosto 2009)

Foto: Raul Cordeiro

Músicas de Sempre (I´m singing in the rain - Gene Kelly)

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Normalidade


Vejo que se aprecia um certo ar de inteligência
Mas nada me obriga a ser
Inimigo da minha inocência
E ser pau de obras de feições alheias
Ou mera ideia química ou biológica
A quem aplicam veneno
Aranhas de outras teias
Rendo-me à ciência racional
De que para além da inteligência
Ou aliás habita a inteligência
Um instinto primário, gregário, animal
Ou não fosse uma pessoa normal

Curtas de Verão (XII): Esculturas


Esculpi nesta alma podre e só
Uma corda em forma de nó
Devo ser alguém importante
Porque à brisa de um vento suão
Se desfez o nó e o dó

Foto: Raul Cordeiro (Sé de Braga - Portugal , Agosto 2009)

Caminhos Interiores (II)


Miranda do Douro - Portugal (Agosto 2009)
Sé Catedral

Foto Raul Cordeiro

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Curtas de Verão (XI): Tragédia


Trágico e ser optimista no meio do nada
Porque nada é mesmo isso
Ausência de tudo
E não pouco de muitas coisas

Foto: No canto de nada - NEST1 (olhares.aeiou.pt)

domingo, 30 de Agosto de 2009

Caminhos Exteriores (I)


Veneza - Itália (Junho 2009)
Foto: Raul Cordeiro