Queria programar um poema
Falha-me a sintonia
Oculta-me a maresia
Apenas me ocorre que se és o mar
E eu a gota
Queria ser idiota
E deixar-me afogar
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Poeminha idiota
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
cegar e não querer ver
cegam-me os olhos de não te ver
cega-me o destino de te perder
cega-me o desejo de te procurar
cega-me a cegueira de te amar
cega-se o tempo de se gastar
cega-se o caminho para te encontrar
cega-se o relógio no meu pulso
cega-se a hora do impulso
cega-se o cego que não quer ver
cega-se a vida se te perder
domingo, 25 de Outubro de 2009
Curtas de Outono (II): A voz
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Curtas de Outono (I): Dias assim
segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Operações simples
sábado, 17 de Outubro de 2009
auto compreensões
Compreendo que do outro lado de mim
Haja um quarto vazio
Sem uma gota de memória
Dos lapsos da minha história
Compreendo que o meu tempo esteja errado
Equivocado
E viva à frente da minha memória
Fico zangado comigo quando não o agarro
Ou o deixo fugir
Compreendo mas cansa-me a inteligência abstracta
Compreendo no quarto vazio
As memórias sem data
terça-feira, 13 de Outubro de 2009
EDITAL
A forma como o tempo se cobra a si próprio
É um descompasso do tempo, ele mesmo
Como se seguisse a descompasso falso
E as palavras e as coisas tivessem autos diversos
Mais breves que estes versos
A forma como o verso se alumia
Se anuncia em edital
Em descompasso da poesia
domingo, 4 de Outubro de 2009
Matemática
Se a Matemática fosse exacta
Um mais um nunca seriam mais que dois
É perfeitamente inútil somar a nós
O que vai para além de nós
Do nosso manto invisível
O que torna para o amor
A Matemática uma ciência neutra
Nula e abstracta
sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Só
A certa altura perguntei-me a mim próprio
Porque é curta a vida e longa a tristeza
Custa cavar o nosso terreno interior
Descobrir a fonte do infinito fulgor
segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
UM PRESENTE PARA ALÉM DO MAR

Poderia ser assim como um sopro de gigante
Um sopro que faz mover um carrossel
Se este sopro passasse os mares
E ajudasse a apagar as velas
Num bolo feito de mel
Poderia ser um presente gigante
Em forma de beijo de vento
Se este presente passasse os mares
E ajudasse a manter o sustento
Desse carinho que me ensinares
quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
Quero um mundo mais pequeno!!!
Porque é que o mundo não é mais pequeno?
Assim poderia cruzar os meus olhos com os teus
E os meus deliciarem-se com os teus
E chorar de não lhes poder tocar
E chorar dos teus não serem meus
terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Negação
Era quente a minha ânsia
Desconhecido o desejo
Morna a poesia
Fresco e molhado o beijo
As lágrimas adjectivos
Nocturnas as negações
segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
A idade e o tempo
Era tarde e ele tinha já quarenta anos
Deixara de ser jovem para ser homem
E pasmou na orla das gentes
E viu-a passar depois de não ter vida
Lançou da sua estátua um olhar
E da sua montanha um respirar
Gozava a brisa que lhe dava a alma
De olhar e respirar e deliciar-se com calma
Olhar era quase um pregão silencioso
Um pontapé na vacuidade
Dessa treta que o tempo inventou
A que dão o nome de idade
quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
terça-feira, 8 de Setembro de 2009
A COMPANHIA DE UM VERSO
O meu relógio parou incerto
Na hora do teu silêncio
Tornei-me subitamente algo, uma coisa
Não alguém
Escravo da tua voz
Indigesto personagem
Extraviado, funesto
Entidade irreal sombra da imagem
Estou sempre triste
É difícil ser culto e não ter indulto
Mas oprime-me estar só
E o inverso
Vale-me o poema e a companhia
De um verso
domingo, 6 de Setembro de 2009
CHINELOS VELHOS E ROTOS

Levaram-me hoje a ver o mar
Vi barcos vadios, parados
E outros vivos apressados
Vi conchas abertas e fechadas
E peixes poetas das madrugadas
Vi água e areias
Pessoas gordas e magras
Cantos e figuras de sereias
Um mundo de imagens sonhadas
Ouviu canções da espuma
E fechei, criança, os olhos à bruma
Vi nas pedras estátuas de arte e sal
Pregadas no chão
Arte de imaginação
Vi figuras de espanto
E chinelos velhos e rotos
Andar vagaroso e lento
De quem o mar sabe a pouco
terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Normalidade
Vejo que se aprecia um certo ar de inteligência
Mas nada me obriga a ser
Inimigo da minha inocência
E ser pau de obras de feições alheias
Ou mera ideia química ou biológica
A quem aplicam veneno
Aranhas de outras teias
Rendo-me à ciência racional
De que para além da inteligência
Ou aliás habita a inteligência
Um instinto primário, gregário, animal
Ou não fosse uma pessoa normal
Curtas de Verão (XII): Esculturas
segunda-feira, 31 de Agosto de 2009
Curtas de Verão (XI): Tragédia

Trágico e ser optimista no meio do nada
Porque nada é mesmo isso
Ausência de tudo
E não pouco de muitas coisas


