6 de Setembro de 2010

Se eu voar


Dei-te os melhores anos
Dos anos da minha vida
Mas tu não és de poucas contas
E pedes sempre mais
Para mim dar
É mesmo dar
Sem pensar e sem olhar

Se eu voar
Vais-me agarrar as asas
Se eu voar
Voam comigo os sonhos
Se eu voar
Vais comigo
Atirar ao mar
As flores para me encontrar

Deste-me na palma da mão
Os teus sonhos
E eu guardei o teu beijo no coração
Mas eu não sou de poucas contas
E peço-te um chão
Um abraço, um beijo
E a tua mão

Se eu voar
Vais-me agarrar as asas
Se eu voar
Voam comigo os sonhos
Se eu voar
Vais comigo
Atirar ao mar
As flores para me encontrar

5 de Setembro de 2010

Não há voz, não há sombra

Estou além, atrás da minha sombra
A cantar o bafo do Sol
Apraz-me o prazer que me assombra
A passo lento de caracol
Neste canto débil não há voz
Há apenas o contrário
O som que ouvimos quando estamos sós
Um silêncio estridente, arbitrário
Há um Sol que não brilha aqui
Nem faz a minha sombra
Uma luz que bate em mim e reflui
Uma luz que bate em mim e tomba

4 de Setembro de 2010

Embaraço

Há uma criatura que se embaraça
Os cabelos na minha poesia
Que a torna mais quente que fria
Uma figura solar de hálito suave
De voz doce e grave
Uma figura solar que flutua
Longínqua como a lua em pleno dia
Há uma figura que se enleia
Nas minhas sílabas
Que as faz tremer de anomalia
Uma figura lunar de voz grave
De voz doce e hálito suave
Uma figura lunar que se deita
Quando o dia ainda espreita
Há uma multidão no meu espaço
Onde me perco e embaraço
E procuro o meu estratagema
E é nesse embaraço
Que este poema
É todo o Sol do espaço

3 de Setembro de 2010

O elogio

Não há terra, nem céu, nem mar
Que escutem os meus pés em cativeiro
Se o tempo cavou ruínas na minha pele
Foi porque ele, o tempo, chegou primeiro
Procuro
Num espelho, a companhia de um sorriso
Sei que é loucura odiar todas as rosas
Sei que é loucura perder o juízo
Mas que façam o elogio do louco
É por agora
Apenas o que preciso
Quero sentir quem sou
Se sou muito ou pouco
Se sou assim
Antes que o tempo
Na sua escavação
Descubra os vestígios
Que não sou louco
Não…

2 de Setembro de 2010

uma dor pequenina, tamanho de mim

Wordle: Untitled


Há uma dor que dorme comigo
Que sonha comigo os meus sonhos
E se baba na minha almofada
Serei sincero e bondoso
E chamar-lhe-ei apenas
A minha dor malfadada


1 de Setembro de 2010

Há coisas

Há dores que não se sentem
Apenas doem
E sentimentos que não mentem
Apenas moem
Há olhares que não se vêem
Apenas se olham
E mãos que não tocam
Apenas acenam
Há coisas que não mudam
E assim ficam sempre
Apenas coisas

18 de Julho de 2010

3 ANOS DE VIDA DAS PALAVRAS


Este Blog faz hoje 3 Anos.

Uma palavras a todos os que têm mantido vivo este espaço.

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15 de Julho de 2010

Loucuras do mundo

Corri
E a árvore que escolhi
Entrou-me pelos braços
E dos seus ramos nasceram laços
E das suas flores abraços
No meu peito nasceu uma folha
Redonda como a minha mão
Mais singela
Em forma de coração
Nos meus pés uma raiz
Assim fininha, petiz
Que me agarra ao chão
Superficial num solo pouco profundo
Que me deixa pôr nos picos dos pés
E olhar a loucura do mundo

12 de Julho de 2010

Este mar...

Fico quieto e mudo deste lado do horizonte
Deste lado do mar de todos os dias
Onde ser enrolam as ondas do mar sem laços
Onde perco os teus abraços
Onde cruzo o silêncio de um mar sem chão
Com a sombra dos braços teus
Que acenam um claro mas cinzento adeus
Uma vela, um barco ao longe, navegar de solidão
Encalhado numa praia onde não chegam as ondas
Desfazem-se fora dos olhos em voltas redondas
Onde verto em câmara lenta desgostos de não te olhar
Dava a vida toda para te ver chegar descalça sobre o mar
A viver deste lado do meu poema
A fazer-me companhia
Na construção do simples morfema
A beberes comigo a palavra fugidia
A desfolhar comigo as páginas do dia
Seres em carne e em paixão
A vida da minha poesia